Bíblia: tipos de leitura

Pe. Mauro Negro, OSJ

A questão de como ler a Bíblia não é tão fácil de ser apresentada. De fato, há muitas maneiras de lê-la. Algumas são corretas e produzem frutos. Outras até produzem frutos, mas não são muito corretas…

Leitura catequética — É aquela feita nos cursos e encontros. Não somente na Catequese de Primeira Comunhão e Crisma, mas também em todos os momentos nos quais se deseja ensinar algo sobre a Palavra de Deus ou a partir dela. É uma leitura e interpretação que se faz com seriedade, não somente com algo como eu acho ou penso assim… Nós não seguimos a opinião de um ou outro, mas o modo de crer e viver a Fé da Comunidade, da Igreja. E a leitura catequética nos ensina isto.

Leitura espiritual — É um modo de ler a Escritura muito importante e útil para todos. Nele a pessoa lê e tira suas conclusões, interpreta e procura viver o que sente. É uma leitura muito pessoal e não deveria servir para outras pessoas, mas para aquele que a fez sozinho ou em pequeno grupo. Quando a leitura pessoal acaba se tornando pública começam a acontecer os exageros.

Leitura pessoal/estudo — Pode ser pessoal ou em grupo. Não põe em destaque a Fé, mas os conhecimentos e a compreensão do texto e da sua história. É muito útil para que se faça depois as outras leituras, pois prepara para a interpretação do texto com responsabilidade, não apenas com o “eu acho” ou com a saída mais simples quando a leitura é difícil.

Leitura litúrgica — É aquela feita durante as celebrações litúrgicas como o Batismo, o Matrimônio, as orações oficiais da Comunidade, as celebrações da Palavra e especialmente durante a Eucaristia. Ela segue um roteiro preparado para que as pessoas que participam regularmente possam aos poucos aprender coisas e crescer na escuta da Palavra de Deus. Podemos dizer que esta leitura é muito boa, pois é bem completa: em geral se lê o Primeiro Testamento (o Antigo Testamento) e o Novo Testamento. Um fala do outro e os dois se completam. Depois das leituras uma pessoa preparada deve explicar o significado de cada uma delas e atualiza-las, isto é, torna-las compreensíveis para o momento atual. Isto se chama “homilia”. É importante notar esta não é exatamente uma simples “leitura”, mas é uma “proclamação” da Palavra de Deus. Não é a pessoa que lê que fala: é o Senhor que se serve dela para transmitir sua Palavra. Por isso não depende somente da vontade ou da interpretação da pessoa que faz a homilia, mas sim de toda a caminhada da Comunidade e da Igreja.

É muito importante que não cheguemos a uma leitura defeituosa da Bíblia, aquela que chamamos de fundamentalista.

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