Namastê!

Entenda o que significa essa saudação  

Por Fernanda Sciascio 

Proveniente do sânscrito, namaste, é pronunciado com a última sílaba tônica e o significado é algo como “saudar o outro prestando uma homenagem”. Apesar de ter essa essência profunda e de ser difundido como o “oi/olá” na Índia, o cumprimento abrange uma série de detalhes que faz dele quase um pequeno ritual. 

Geralmente, os hindus cumprimentam seus mestres ou pessoas que lhe são íntimas com a saudação “namastê” e a palavra acompanha o gesto de elevar as duas mãos à altura do tórax, pressionando as duas palmas uma contra a outra, somado ainda a um movimento vertical com a cabeça. Isso porque se diz “namastê” delicadamente curvado, em singelo gesto que é praticamente um mantra e um mudra (posição da mão que é conhecida como anjali, da raiz anj, que significa “para adornar, honrar e comemorar”). As mãos prendidas na união significam um cosmos aparentemente duplo, união de espírito e matéria. 

Caso uma das mãos esteja ocupada, leva-se a mão direita ao peito, sobre o coração, uma vez que a mão direita apresenta a natureza mais elevada ou o divino de cada um (é a mão com a qual se come), enquanto que a mão esquerda representa o mais baixo ou o mundano (é a mão com a qual se higieniza). 

A expressão “namastê” transformou-se em um ícone, inclusive no Ocidente, entre os praticantes de ioga. Patrícia Romano, professora de dança indiana, explica um detalhe importante: “na filosofia hindu, todas as pessoas são Deus [no singular]. A diferente é que o hinduísmo é monoteísta, mas acredita que Deus tenha milhares de formas, por isso diz-se que cada um tem um Deus dentro de si”. Assim, o namastê reconhece no outro aquilo que não há em mais ninguém e, assim, muitos o traduzem como “O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você”. 

Carlos Eduardo Gonzales Barbosa, professor de cultura indiana e de língua sânscrita no Instituto Narayana explica que a expressão namastê é proveniente do verbo sânscrito nam, que significa saudar, honrar e homenagear. “É uma saudação formal composta pelo substantivo namas, que significa ‘saudação’ e pela forma abreviada do pronome donativo , que quer dizer ‘para ti’ ou ‘para você’”. De acordo com o professor, o termo não é uma maneira popular de se cumprimentar. “Foi nas décadas de 1960 e 1970, com a explosão da contracultura, que nasceu a ‘onda’ orientalista e, com ela, o grande interesse pela Índia. 

Caso a tradição fosse seguida, o namastê seria acompanhado da entoação do om, o som universal que invoca as forças dos chacras. E mais: “o sufixo te implica em intimidade ou relação muito forte e próxima. Por isso, não se diz namastê a um estranho, e sim, por exemplo, om namah dhavate [saudação para o senhor]”, complementa o professor. 

Já o ato do cumprimento é chamado de namaskarah (que significa “saudações”) e é usado por quase todos os indianos. “Quando os indianos usam o namastê no dia a dia, é porque foram educados de acordo com a cultura ocidental ou não dominam suas tradições”, lembra Carlos Eduardo. 

Uma curiosidade: na Índia, costuma-se comparar o namastê ao cumprimento ocidental de apartar as mãos. Para eles, é infundado apartar as mãos de reis ou deuses e, portanto, de outros seres. Mesmo à distância, o namastê é compreendido e é uma saudação de humildade. 

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FONTE: SCIASCIO, Fernanda. Namastê! In. Revista Vida & Yoga. São Paulo: Editora On-line, julho/2020, pág. 36-37. (Saudação) 

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